Cryptosporidium
Cryptosporidium - Um género de protozoário parasita (monóxeno) (subordem Eimeriorina - q.v.) patogénico para o homem e outros animais (ver Criptosporidiose); os organismos desenvolvem-se, tipicamente, nas microvilosidades do intestino. Os oocistos são muito pequenos (aprox. 4-6 micrómetros); após uma endosporolação, cada oocisto contém quatro esporozóitos em forma de banana.

Formam-se dois tipos de oocisto: oocistos de parede fina que libertam os esporozóitos no intestino do hospedeiro, causando a reinfecção (auto-infecção) do hospedeiro, e oocistos de parece espessa e resistente ao ácido (aprox. 80% do total) que são eliminados através das fezes.

A taxonomia do género não está ainda completamente estabelecida. Foi sugerido que se reconhecessem apenas 4 espécies, por exemplo, com base no tipo de hospedeiro: C. crotali (répteis), C. meleagridis (aves), C. muris (mamíferos) e C. nasorum (peixes tropicais). No entanto, 'C. parvum', o organismo que parece ser a causa da maioria dos casos de criptosporidiose, é aparentemente distinto de C. muris.

Criptosporidiose - Uma coccidiose (q.v.) do homem e de outros animais causada por uma espécie de Cryptosporidium; o organismo patogénico é habitualmente transmitido (na forma de oocistos esporulados) por via fecal-oral directa ou indirecta.

A doença no homem é tipicamente suave e autolimitada; pode envolver diarreia, cólicas abdominais, febre baixa e dores de cabeça. Nos indivíduos gravemente imunocomprometidos torna-se uma doença que põe em risco a vida: diarreia habitualmente grave, líquida e persistente; outros locais (p. ex. as vias respiratórias, biliares) podem ser afectados.

Os organismos do género Cryptosporidium são responsáveis por diarreias, pneumonias e infecções disseminadas em crias de bovinos, ovinos e suínos; podem também causar diarreias, inapetência e perda de peso nos gatos domésticos.

Os surtos da doença podem ser transmitidos por via hídrica uma vez que os oocistos de Cryptosporidium, de parede espessa, são resistentes aos níveis de cloro habitualmente utilizados para tratar as reservas de água.

A viabilidade de oocistos de C. parvum foi avaliada marcando-os com colorações fluorescentes (SYTO-9, SYTO-59); os oocistos que absorviam a coloração acima de uma determinada densidade não eram capazes de estabelecer uma infecção em ratinhos, mas aqueles que apresentavam uma fluorescência baixa ou inexistente facilmente causavam a infecção (AEM (2000) 66 406-412).