Gaivotas transportam bactérias resistentes a antibióticos
As gaivotas migratórias transportam bactérias resistentes a antibióticos, que podem ser transmitidos entre ecossistemas e chegar ao Homem. Contudo, só constituem um risco para pessoas imunodeprimidas ou que sejam pacientes de risco.

A conclusão é de uma investigação levada a cabo por cientistas das Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e de Aveiro, e que contaram com o apoio de investigadores de estabelecimentos de ensino superior franceses e espanhóis.

O estudo já mereceu destaque na prestigiada revista internacional Proteome Science, bem como noutras publicações científicas, e o Departamento Britânico para o Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais já reconheceu o seu interesse.

Para Gilberto Igrejas, investigador da UTAD que coordenou a equipa, tal reconhecimento representa “um orgulho muito grande”, já que “ninguém estava à espera que o trabalho merecesse um destaque tão elevado”.

O feito fez com que já tenha havido “inúmeros contactos internacionais” de investigadores que querem ir trabalhar com eles, para aprofundar estudos semelhantes desenvolvidos nos países de que são oriundos.

O estudo de epidemio-vigilância incidiu na Reserva Natural das Berlengas e pretendeu analisar como a fauna selvagem resiste aos antibióticos. No caso foram analisadas bactérias isoladas recolhidas em gaivotas (Larus cachinnans), de uma espécie migratória que frequentemente pode ser vista, em bandos, a sustentar-se em lixeiras onde são depositados restos alimentares humanos.

Gilberto Igrejas adiantou, ao JN, que o Homem “usa antibióticos indiscriminadamente” e que, tendo em conta o seu modo de alimentação “as gaivotas vão acabar por adquirir resistências”. Como são aves migratórias, podem agir como meio de disseminação entre ecossistemas de bactérias resistentes àqueles medicamentos.

O investigador acredita que tal eventualidade “não representa perigo para pessoas saudáveis”, até porque são “habitantes do tracto intestinal”. Porém, podem trazer complicações a quem se encontrar em estado de alguma debilidade.

Fonte DN 23-09-2010

 

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