Bacalhau com fosfatos
Portugal é um dos maiores consumidores de bacalhau no mundo, rondando as 70.000 toneladas por ano, fazendo dos pratos de bacalhau uma bandeira gastronómica. É por isso compreensível a desconfiança e a polémica relacionada com a possibilidade de adição de polifosfatos no processo de cura do bacalhau, em que o único propósito seria o de branquear o peixe, colocando em risco o aspecto, textura e sabor característicos do bacalhau.

A adição de polifosfatos, apesar de não constituir, à partida, uma ameaça à segurança alimentar e saúde pública, é uma ameaça à salga tradicional, com os padrões de qualidade e de exigência a que os portugueses se habituaram. Poderá também contribuir para o aumento do preço deste alimento, já que a adição destes químicos aumenta o poder de retenção de água e consequentemente o tempo de cura necessário para garantir um processo de secagem que cumpra os limites legais para a humidade.

Contra as expectativas de algumas das principais empresas do sector e da DECO (associação para a defesa do consumidor), a lei acabou por ser aprovada este mês a nível europeu e com o voto a favor de Portugal.

No entanto, o secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Alimentar, Nuno Vieira e Brito, em comunicado, explicou que o documento votado para a Cadeia Alimentar e de Saúde Animal da União Europeia, contou com o voto favorável de Portugal, mas que o documento inclui medidas protectoras específicas para o nosso país.

De facto, o Conselho Norueguês da Pesca (Norge) assegurou que, apesar da nova permissão da União Europeia, o bacalhau com origem na Noruega consumido em Portugal (cerca de 60%) está isento de fosfatos adicionados, mantendo-se as normas de produção tradicional, apenas com cura de sal.

Resta-nos acreditar na prometida fiscalização nesta matéria, na existência de métodos fiáveis para distinguir os fosfatos adicionados dos fosfatos naturalmente presentes e na efectiva excepção para Portugal.

Fonte QUALI 30-07-2013

 

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