nojos que nos protegem contra doenças
Cientistas chegaram a seis tipos comuns de repulsa, que na verdade nos protegem — e ajudam a evitar (ainda mais) coisas nojentas.

Já parou para pensar na razão de sentirmos nojo? Muitas vezes são motivos banais – como esquisitices – mas, na verdade, a repulsa que temos de várias coisas protege-nos. Há uma hipótese entre os cientistas de que o nojo evoluiu na nossa espécie a favor de ações que reduzam o risco de sermos contaminados por infecções, a chamada teoria da esquiva dos parasitas. Agora, num novo estudo, pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) listaram os nojos humanos que, na verdade, são proteções.

Estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM)

Os cientistas confirmaram que a aversão humana é estruturada: ela gira em torno de pessoas, práticas e objetos que representam riscos. Assim, eles chegaram a seis tipos comuns de repulsa: falta de higiene; animais (ou insetos) portadores de doenças; comportamentos sexuais de risco; doenças da pele (como lesões ou furúnculos); comida podre (ou apodrecendo); e ter uma aparência “atípica”.

Segundo os pesquisadores, ter esses nojos estruturados é uma inovação importante, pois aumenta nossa compreensão sobre esse sentimento meio desprezado. Entender como o nojo funciona fornece pistas sobre mecanismos de prevenção de doenças intrínsecos ao ser humano. Isso pode ajudar a desenvolver novos métodos para manter os nossos ambientes, animais e até nós mesmos mais saudáveis.

Historicamente, esses nojos listados fazem sentido. Por exemplo, comer alimentos podres poderia levar a doenças como cólera; o contacto próximo com pessoas anti-higiénicas aumentava as chances de lepra; práticas sexuais promiscuas expunham pessoas ao risco de sífilis e o contacto com feridas abertas era um prato feito para a transmissão de peste ou varíola. Os resultados confirmam a teoria da esquiva do parasita: a aversão evoluiu nos animais fazendo-os adotar comportamentos que reduzam o risco de doenças. Querendo ou não, o nojo faz-nos agir de maneiras específicas – nunca passar a mão numa ferida exposta com pus, por exemplo – para o nosso próprio bem.

“Embora só tenhamos realmente entendido como as doenças são transmitidas no século 19, fica claro a partir desses resultados que as pessoas têm um senso intuitivo do que evitar no seu ambiente. Nossa longa evolução do entendimento de doenças ‘conectou-se’ a essa sensação intuitiva do que pode ou não causar infecção”, diz Micheal de Barra, líder do estudo.

Os cientistas chegaram a esses resultados através de uma pesquisa com mais de 2.500 pessoas online, listando 75 cenários potencialmente repugnantes. Variou de pessoas com sinais óbvios de infecção e objetos cheios de insetos a escutar espirros ou defecar ao ar livre. Os participantes tiveram que avaliar a sua repulsa por cada caso numa escala que variava de “sem nojo” a “nojo extremo”.

De todos os casos, feridas infectadas que produzem pus foram classificadas como as mais repugnantes. Violação das normas de higiene, como ter mau odor corporal, também foi considerado bem nojento. Diferenças de género também foram encontradas: as mulheres classificavam as categorias com uma intensidade maior de nojo que os homens. Isso é coerente com o facto de que homens, geralmente, são bem mais descuidados com doenças que as mulheres. E aqui um alerta: a categoria mais repugnante para elas são os comportamentos sexuais de risco. Pelo bem do futuro da espécie, é melhor que todos se mantenham bem limpinhos.

Fonte: Super interessante 06-06-2018


 

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