Universidade Católica testa bactéria anti-Listeria em enchidos
A Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica no Porto encontra-se a testar uma bactéria com propriedades anti-listeria. Recorde-se que a listeriose é uma infecção de origem alimentar e que afecta principalmente indivíduos com o sistema imunitário debilitado, idosos e grávidas. Neste último caso, pode mesmo originar aborto ou parto prematuro.

Especialista no âmbito da Microbiologia, a ESB produziu dois grupos de alheiras: umas inoculadas com a bactéria e outras com listeria juntamente com a do ácido láctico (a anti-listeria). Nas primeiras, a listeria aumentou; nas segundas, foi destruída, segundo avançou o grupo de investigação, coordenado por Paula Teixeira. Os enchidos produzidos industrialmente, com adição e sem a adição da bactéria anti-listeria, foram comparados por um painel de provadores. Não foram detectadas diferenças significativas ao nível do sabor e aroma entre os dois produtos.

A bactéria isolada demonstra possuir atributos que permitem usá-la como cultura bio-protectora na produção de alheira, sendo uma alternativa para melhorar a segurança destes alimentos. Trata-se de uma bactéria que não possui qualquer factor de virulência, pelo que pode ser adicionada durante o processo de produção. A utilização desta na produção de outros enchidos tradicionais portugueses está actualmente a ser avaliada.

Apesar dos recentes surtos de listeriose e de outras infecções alimentares, a população portuguesa demonstra, ainda, uma falta de conhecimento geral sobre estas questões. Assim, e recorrendo à experiência na área da higiene e segurança alimentar e da educação para a saúde, a ESB aposta na dinamização de campanhas de sensibilização. Para tal, realizou um estudo de referência para avaliar o nível de conhecimento que grávidas e profissionais de saúde possuem sobre a bactéria.

Dados

Os dados obtidos demonstram uma evidente falta de conhecimentos sobre hábitos de segurança alimentar a ter durante a gravidez e sobre a infecção. Das 956 inquiridas, 88 por cento revelou nunca ter ouvido falar em listeriose e, das 12 por cento que afirmaram conhecer a infecção, quase todas (94 por cento) não sabe quais os problemas que a infecção pode causar.

Revela, também, que é premente informar os profissionais de saúde, uma vez que, de 749 inquiridos, 69 por cento considerou que a listeriose não foi bem abordada durante a sua formação académica. Dentro deste grupo, a esmagadora maioria (87,9 por cento) admitiu ser de grande utilidade a disseminação de mais conhecimentos sobre esta temática.

Com base nestas conclusões, foi estruturado o primeiro projecto de educação e informação sobre prevenção de listeriose, uma doença que não é ainda de declaração obrigatória. Neste âmbito, foi criado uma página online e foram produzidos 112 mil folhetos de divulgação, 2.400 posters, 20 mil marcadores de livros e seis mil dossiês de informação para profissionais de saúde.

Fonte ciencia hoje 05-07-2011

 

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