Alergia a comida atinge 200 mil
Todos os alimentos podem levar a uma alergia alimentar e, nalguns casos, nem precisam de ser ingeridos para causarem uma reacção de hipersensibilidade: o simples contacto ou inalação é suficiente. As alergias são mais frequentes na infância, mas podem surgir subitamente e persistir por toda a vida, e atingem cerca de dois por cento da população (200 mil portugueses).

Os principais alergénios (substâncias causadoras da alergia) são, na idade pediátrica, leite, ovos, cereais e peixe. Quando se entra na adolescência e na idade adulta, as fontes alérgicas mais vulgares são o marisco, os legumes, frutos secos e oleaginosas – castanhas, nozes, amêndoas e avelãs.

Os sintomas aparecem poucos minutos após a ingestão. "De forma isolada ou combinada, surgem manifestações de urticária, asma, rinoconjuntivite, náuseas, vómitos, cólicas abdominais e diarreia", explicou ao Correio da Manhã o alergologista Luís Miguel Borrego. A ingestão acidental de ingredientes "ocultos" em determinados alimentos, mesmo em pequenas quantidades, pode ser fatal.

A anafilaxia é uma reacção alérgica sistémica, atingindo vários órgãos, havendo por vezes o risco de asfixia, com comprometimento da vida. Para evitar a morte, há a necessidade de uma intervenção especializada e urgente: para tal, existem já injecções com adrenalina para autoadministração. As alergias têm vindo a aumentar, nomeadamente casos de pessoas com reacções alérgica graves.

Alergia a comida atinge 200 mil em Portugal
A ingestão de marisco e legumes pode provocar reacções alérgicas. Devem-se eliminar estes alimentos, bem como consultar os rótulos para saber quais os ingredientes das refeições.

"A diminuição das infecções na primeira infância, por melhor controlo e condições sanitárias, poderá fazer com que o sistema imunológico, menos ocupado com os micróbios e parasitas, se volte para os alergénios ambienciais, que à partida seriam inofensivos", justifica o secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.

O estilo de vida mais sedentário e doméstico, assim como a introdução de novos alimentos, ricos em corantes ou conservantes, pode também explicar o fenómeno.

Os re "AUSÊNCIA DE NUTRIENTES NÃO É TOTAL": Isabel do Carmo, Nutricionista

CM – Pode-se prevenir as alergias com a alimentação?

Isabel do Carmo – Não. Pode-se ter cuidados com a introdução de novos alimentos, sobretudo nas crianças e se os pais forem doentes alérgicos.

– Que tipo de cuidados?

– Por exemplo, os alimentos com glúten só devem ser introduzidos a partir dos 6 meses. E a laranja deve ser introduzida após o primeiro ano de vida.

– Como compensar a ausência dos nutrientes?

– É preciso ver quais os nutrientes em falta, depois ir buscá-los a outros alimentos, sem recorrer a suplementos alimentares.

– Quais os riscos para o organismo?

– A ausência de nutrientes nunca é total. Há alguns efeitos na pele, olhos ou cabelo, e na resistência do organismo às infecções.

DIFICULDADE DO DIAGNÓSTICO

É difícil definir o tipo de alergia, uma vez que a resposta do organismo à ingestão de um alimento, além de digestiva, pode ser dermatológica, respiratória ou cardiovascular. Fundamentado na história clínica do doente, o diagnóstico definitivo estabelece-se com a realização de testes cutâneos ou de provocação oral (ingestão de quantidades crescentes do alimento suspeito). As alergias alimentares resultam de uma combinação de factores hereditários e ambientais, como a poluição.

"A LEONOR TEM CONSCIÊNCIA DA SUA DOENÇA"

Leonor Resende, de 4 anos, tem uma alergia grave aos frutos secos. O primeiro sinal ocorreu durante uma festa em casa de uns amigos da família. "A Leonor comeu uns cereais que tinham frutos secos", conta a mãe, Mariana Alpoim. Os efeitos foram imediatos: "A Leonor ficou maldisposta, com a cara inchada e cheia de manchas, e chegou a vomitar. Fomos directamente para o hospital", recorda. Na altura, Leonor tinha apenas dois anos.

O diagnóstico foi feito com rapidez. Foram realizados testes cutâneos e sanguíneos para confirmar os resultados. "A Leonor tem consciência da sua doença e das suas implicações, pergunta o que pode ou não comer", explica Mariana, que se esforça para ensinar à filha as restrições da alergia e as alternativas alimentares disponíveis.

Fora de casa, foi adoptado um novo comportamento, pois para Mariana a sociedade precisa de ser sensibilizada para os perigos das alergias. "Na creche da Leonor, expliquei às educadoras como devem agir em caso de crise alérgica. Ir a restaurantes chineses ou japoneses está fora de hipótese, vejo os rótulos de todos os alimentos e, nos restaurantes, pergunto sempre os ingredientes das refeições", explica.

PERFIL

Leonor Resende Tem 4 anos e vive em Lisboa. Com dois anos, sofreu uma reacção alérgica muito grave devido à ingestão de frutos secos. Tem consciência das implicações da sua alergia e é a própria quem pergunta o que pode comer.

Fonte cmjornal 03-09-2011

 

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