Mais do que cores
Plantas que ornamentam o interior das casas ou embelezam os jardins melhoram a qualidade de vida e até economizam eletricidade, mas se não forem tomadas precauções, podem causar intoxicações devido à ingestão ou contato com folhas, talos e flores.

As denominadas plantas ornamentais ou botânica decorativa têm seu lado positivo e negativo. Do lado positivo, Ed Perry, especialista em horticultura da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, assinala que o uso de árvores para dar sombra ao lar pode reduzir a temperatura na água-furtada de uma casa em mais de 4ºC durante o verão.

Além disso, segundo este especialista americano, “as árvores, arbustos e outras plantas ornamentais podem contribuir para economizar eletricidade, melhorar a qualidade do ar e proteger a qualidade da água, além de servir de lar a pássaros e outras criaturas silvestres, dando sombra e proteção do vento às pessoas durante as atividades ao ar livre”.

Além de enfeitar o lar, as plantas têm um grande impacto no ambiente, como explica a colega de Perry, Diane Relf, especialista em jardinagem e horticultura ambiental na Universidade Virgínia Tech (EUA), que considera que a jardinagem ornamental é uma das formas mais efetivas e económicas de melhorar e manter a qualidade do meio ambiente.

Segundo Relf, no verão, “a sombra das árvores velhas ou novas plantadas em lugares adequados evita que a temperatura dentro de casa aumente demais, permitindo que os condicionadores de ar trabalhem com mais eficiência e menos eletricidade”. Durante o inverno, estas mesmas árvores perdem suas folhas, deixando passar os raios do sol e ajudando a aquecer a casa.

Segundo Perry e Relf, se pode afirmar que as plantas “limpam” o ar, já que uma árvore pode absorver a cada ano o equivalente ao dióxido de carbono emitido por um automóvel na atmosfera ao percorrer 18 quilómetros. Além disso, da mesma forma que os arbustos e o gramado, as plantas ornamentais podem absorver do ar a fumaça, pó e outros poluentes.

Perigos ocultos

As plantas decorativas também ostentam um lado menos amável, como demonstram as pouco divulgadas mas muito frequentes intoxicações com plantas ornamentais ou de interior, as quais deveriam ser – segundo alguns especialistas – uma disciplina obrigatória para aqueles que mais se expõem a este perigo: as famílias com crianças pequenas.

Sequidão da boca, inflamação dos tecidos bucais, náuseas, dor abdominal, icterícia, visão confusa e arritmias cardíacas, assim como convulsões, hipertermia, hipotensão e excitação são alguns dos sintomas mais frequentes das intoxicações por plantas, fungos e esporos, cujo contato, mastigação, ingestão ou inalação são tóxicos.

Para o médico Josep Piqueras, especialista em Hematologia no Hospital Universitário Vall d'Hebron, de Barcelona, há “um aumento das intoxicações por vegetais, porque os moradores das cidades são mais ignorantes sobre as plantas daninhas que os do meio rural e perderam sua desconfiança natural em relação a estas, e pela tendência a utilizar e consumir plantas com fins curativos, medicinais ou dietéticos”.

Crianças em risco

Segundo Piqueras, “a maioria das intoxicações por ingestão de plantas tóxicas é acidental e acontece com crianças, especialmente menores de seis anos, que com sua curiosidade natural e imprudência são atraídas por seu aspecto, consumindo frutos e bagos silvestres nas excursões ao campo”. Mas às vezes a ameaça está na própria casa ou no jardim: são os perigos das plantas ornamentais.

Entre as plantas tóxicas que causam transtornos mais frequentes figuram o Viscum album (visco), Ilex aquifolium (azevinho), as plantas aráceas (comigo-ninguém-pode, pótus, esqueleto-de-cavalo, filodendro e ruibarbo), a espirradeira, a Hadera helix (hera), a Daphne mezereum (mezereão) e o crisântemo.

Cuidados

Para reduzir o risco de intoxicação, Piqueras e outros especialistas recomendam identificar a espécie vegetal usada em casa – consultando quem a vendeu ou em um livro – através do nome científico em latim, já que sua denominação comum varia segundo as regiões.

O nome da planta deve ser escrito com tinta indelével em um rótulo plastificado, pendurado no vegetal. Outra precaução é averiguar com segurança se a planta que pensa colocar em sua casa ou jardim é venenosa. Certas plantas nunca devem ser escolhidas para casas com crianças, outras podem ser colocadas em uma casa com elas, mas fora de seu alcance, e algumas são ideais para uma família com crianças.

Também é importante que os pais ensinem a seus filhos, quando tiverem idade suficiente para assimilar, que não devem colocar na boca ou ingerir aquelas plantas que fazem parte da decoração da casa ou do jardim, e que lhes expliquem a inconveniência de tocar algumas plantas que ornamentam a casa em algumas festas. Dessa forma, acidentes sérios e até mesmo letais podem ser evitados.

Fonte efe 02-11-2011

 

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