Insetos como fonte de alimentação humana e animal
Os insetos representam um nicho de mercado na UE, com diversos Estados Membros a reportarem casos de consumo humano ocasionais. O interesse sobre os potenciais benefícios da utilização de insetos como fonte alimentar está a crescer, questionando-se no entanto, sobre os riscos de produção, transformação e consumo desta fonte alternativa de proteína.

Para já, pensa-se que o uso de insetos como fonte de alimentação humana e animal apresenta potenciais benefícios ao nível ambiental, económico e da segurança alimentar. As espécies reportadas como maior potencial de uso na União Europeia incluem moscas, larvas de farinha, grilos e bichos da seda.

Várias organizações, incluindo a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) têm estudado a possibilidade de utilizar os insetos para alimentação humana e animal, e três Estados-Membros da UE - Bélgica, França e Países Baixos, têm realizado avaliações de riscos relacionados com insetos como alimento ou ração.

A EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) abordou esta questão realizando uma análise de risco com a identificação dos potenciais perigos biológicos e químicos, bem como a alergenicidade e perigos ambientais associados ao uso de insetos cultivados para alimentação humana e animal. O parecer científico compara esses potenciais riscos com os riscos associados às fontes tradicionais de proteína animal.

A possível presença de riscos biológicos e químicos nos produtos alimentares e alimentos para animais derivados de insetos, dependerá dos métodos de produção, do substrato dado como alimento aos insetos, do estágio do ciclo de vida em que os estes são colhidos, das espécies de insetos cultivadas, bem como os métodos utilizados para processamento adicional.

A EFSA concluiu que quando os insetos não-processados são alimentados com matérias-primas atualmente autorizados, a potencial ocorrência de riscos microbiológicos será similar à associada a outras fontes de proteína não-processadas. Em relação aos contaminantes químicos, existem atualmente poucos dados disponíveis sobre a sua transferência de diferentes tipos de substrato para os insetos.

A ocorrência de priões - proteínas anormais que podem causar doenças tais como encefalopatia espongiforme bovina (EEB) no gado e de Creutzfeldt-Jakob no homem , espera-se que seja igual ou menor se o substrato não incluir proteínas derivadas de seres humanos ou ruminantes. O parecer científico também considera os possíveis riscos associados a outros tipos de substrato, tais como resíduos de cozinha e estrume animal.

O risco ambiental da produção de insetos será, à partida, comparável com outros sistemas de produção animal, desde que sejam aplicadas as estratégias de gestão de resíduos já existentes.

O parecer da EFSA é baseado em dados da literatura científica, nas avaliações realizadas pelos Estados-Membros e nas informações fornecidas pelas partes interessadas.

A Comissão Europeia está atualmente a co-financiar um projeto de investigação para explorar a viabilidade do uso de proteínas de insetos para alimentação e a estudar a forma de desenvolver a política nas áreas de novos alimentos e ração animal para refletir o potencial de uso de insetos, tendo sido solicitado o parecer da EFSA para apoiar este trabalho.

Quali.pt 13-10-2015

 

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