Frango sem penas
Aves resultam de cruzamento entre espécies e são criadas em Israel. Impacto na saúde pode demorar anos a revelar-se.

O acasalamento de um pequeno frango sem penas com outro mais gordo resultou num animal de 10 kg, já depenado. A experiência foi feita em Israel - pioneiro na biotecnologia alimentar - e a recente reportagem de um cozinheiro garantiu que a carne era mais tenra e saborosa.

Estas mutações são vistas com desconfiança pelos especialistas, pois as experiências do passado comprovam muitos fracassos nestas alterações, que nalguns casos foram fatais para o homem.

A nutricionista Alexandra Bento considera as alterações genéticas negativas, as em animais ou em vegetais. "Os nutricionistas vêem com receio as modificações. Aconselha-se que as pessoas a recorram a alimentos naturais", disse ao DN.

Frango sem penas A presidente da Associação de Médicos Veterinários, Sofia Almendra, subscreve o alerta. A especialista defende que "só daqui a uns anos teremos a percepção se estas mutações são ou não negativas para a saúde humana. Não são feitos estudos e muito menos testes em humanos, pois tal não é possível". E lembra que muitas vezes consequências só são visíveis a longo prazo, como no caso das vacas loucas, cujo período de incubação pode chegar aos 12 anos.

"A inovação nesta área não é necessária. Se falássemos de distribuição de alimentos pelos locais que mais necessitam ainda se compreenderia, mas o objectivo destas experiências é apenas vender", realça Alexandra Bento.

Sofia Almendra não acredita que a criação de frangos com 10 kg seja uma preocupação para o futuro de outras espécies. "Na história da humanidade o que temos mais são exemplos de mutações de animais, este é apenas mais um", afirmou. Para a veterinária a possibilidade de se ver no mercado frangos tão grandes é quase nula. "Há uns anos tentou-se criar um porco com mais uma costela, para se ter mais uma costeleta. O resultado foi desastroso", relembra.

Sofia Almendra destaca o cuidado existente no País para a mutação de animais.

"O exemplo de Israel dificilmente se tornaria realidade em Portugal. Aqui há muitas regras e são cumpridas", garante.

Fonte: DN

 

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