Febre Q
A febre Q é uma zoonose muito contagiosa, causada pelo patogénio intracelular Coxiella burnetii. Muitos animais domesticados e selvagens, tais como mamíferos, aves, répteis e artrópodes, são portadores de Coxiella burnetii. A infecção é resultado da inalação de partículas contaminadas do ar e de contacto com o muco vaginal, leite, fezes, urina ou sémen de animais infectados. É considerada a doença mais infecciosa no mundo, pois um ser humano pode ser infectado por uma única bactéria.

Onde existe a doença?

A febre Q existe em todo o mundo, à excepção da Nova Zelândia.

Como é transmitida e propagada a doença?

A C. burnetii pode ser transmitida por inalação de aerossóis ou por contacto directo; pode também ser transmitida por ingestão. As infecções em animais podem persistir durante vários anos ou mesmo durante toda a vida. Nos animais, os microrganismos alojam se nas glândulas mamárias, nos gânglios linfáticos supramamários, no útero, na placenta e no feto; as bactérias podem ser excretadas no leite, na placenta e nas descargas uterinas, em gravidezes e lactações subsequentes. A C. burnetii pode também estar presente nas fezes e na urina, bem como no sémen dos touros. Foi demonstrada a transmissão sexual em ratos. As carraças podem ter uma intervenção importante na transmissão entre animais selvagens e podem também transmitir a infecção aos ruminantes domésticos.

A maior parte das infecções humanas estão associadas a bovinos, ovinos e caprinos, sendo contraídas com frequência durante o parto dos animais.

Os seres humanos são geralmente infectados através da inalação de aerossóis, mas a transmissão pode também verificar se por ingestão de leite não pasteurizado ou de outros materiais contaminados.

Febre Q

Quais são os riscos para a saúde pública?

A febre Q é uma zoonose. Nos seres humanos, o período de incubação da febre Q aguda varia entre 2 e 48 dias; o período de incubação característico é de cerca de 2 a 3 semanas. A febre Q crónica pode manifestar se ao fim de alguns meses ou de muitos anos após a infecção. As infecções sintomáticas podem ser agudas ou crónicas. Porém, numerosos casos de febre Q aguda são assintomáticos ou muito benignos, pelo que não são detectados. Os sintomas da doença aguda são semelhantes aos da gripe, podendo incluir febres altas, arrepios, cefaleias, fadiga, mal estar, mialgia, dores de garganta e dores no peito. A doença é frequentemente auto limitada e geralmente tem uma duração que varia entre uma e não mais de três semanas. A febre Q crónica, que se desenvolve meses ou anos após a síndrome aguda, é pouco frequente. A endocardite, o sintoma notificado com mais frequência, manifesta se geralmente em pessoas com lesões preexistentes das válvulas cardíacas ou em situação de imunodepressão.

Cerca de 98% dos casos em mulheres grávidas parecem ser assintomáticos; porém, em algumas mulheres a Coxiella burnetii tem estado associada a partos prematuros, abortos ou baixo peso do nascituro. Têm sido notificadas complicações da gravidez em casos de febre Q aguda ou crónica. As consequências da febre Q congénita não são conhecidas.

Quais são os sinais clínicos da doença?

Numerosas espécies são sensíveis à infecção, mas na maior parte das espécies a infecção parece ser assintomática. Observam se casos de aborto, mortalidade neonatal, retenção da placenta, endometrite, infertilidade e baixo peso e debilidade das crias, em ovinos, caprinos e bovinos. À excepção da doença reprodutiva, os animais são geralmente assintomáticos. Os caprinos por vezes perdem o apetite e ficam deprimidos durante um ou dois dias, depois de um aborto. Foram também notificados casos de retenção da placenta durante um ou dois dias e de agalactia.

Como é diagnosticada a doença?

A C. burnetii pode ser detectada nas descargas vaginais, na placenta, nos fluidos placentários e nos fetos abortados (fígado, pulmão ou conteúdo do estômago), bem como no leite, na urina e nas fezes. Estão disponíveis vários testes serológicos; os mais vulgarmente utilizados são as técnicas de imunofluorescência indirecta, ELISA e de fixação do complemento. A serologia pode ser mais útil para o rastreio no rebanho do que para o diagnóstico individual. Nos seres humanos, a febre Q é geralmente diagnosticada por serologia ou PCR. Os testes serológicos podem ser efectuados bastante cedo, a partir da segunda semana da doença.

Como prevenir ou controlar a doença?

Sabe se pouco sobre a eficácia do tratamento com antibióticos nos ruminantes ou em outros animais domésticos. Por vezes é recomendado o tratamento profiláctico, para reduzir o risco de aborto. Os antibióticos podem suprimir os sintomas sem eliminar a infecção. As vacinas permitem evitar as infecções dos vitelos, reduzir a excreção de microrganismos e aumentar a fertilidade dos animais infectados. Contudo, não suprimem totalmente a excreção de microrganismos.

A maior parte dos casos de doença em seres humanos está associada à exposição a ruminantes, nomeadamente durante os partos. Dado que a ingestão é uma via potencial de exposição, deve ser evitado o consumo de leite e de produtos lácteos não pasteurizados. Podem estar disponíveis vacinas eficazes para as pessoas sujeitas a exposição profissional.

 

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