Louçã diz que Governo pondera pôr desempregados a trabalhar de graça
O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, criticou este sábado em Armação de Pêra o Programa de Emergência Social do Governo, afirmando que o executivo pondera pôr os desempregados a trabalhar gratuitamente no privado e no público.

"O desempregado pode ser obrigado a trabalhar gratuitamente para uma qualquer entidade social ou no privado", acusou Francisco Louçã, referindo que o Programa de Emergência Social (PES) traz decisões para a política social que "nunca tinham acontecido em Portugal".

Durante o segundo comício em plena época de férias, integrado na iniciativa "Portugal não tem solução?", Francisco Louçã referiu que "o Governo está a estudar a ideia para os desempregados terem de vir a trabalhar gratuitamente no setor privado, ou seja, poderem vir a limpar o chão numa empresa".

No seu entender, a política social está a ser "cruel" para as pessoas.

Outra das medidas do PES que o Bloco de Esquerda criticou este sábado tem a ver com as creches e os lares de idosos virem a ter regras diferentes das dos restaurantes no que diz respeito à higiene.

"A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) deixa de ter qualquer poder para verificar as cozinhas de creches e dos lares de idosos. O que garante a higiene num restaurante são regras que deixam de ser aplicadas para uma criança numa creche ou para um idoso acamado", disse.

"É incompreensível haver duas regras num Portugal democrata. Responder à pobreza é criar emprego e combater a precariedade dos jovens, não é desprezando nem criando regras especiais para os pobres", observou.

O Programa de Emergência Social, um dos compromissos previstos no acordo político assinado pelos dois partidos (PSD e CDS-PP) no Governo após as eleições de 5 de Junho, foi apresentado na sexta-feira pelo ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares.

Com um custo de 400 milhões de euros no primeiro ano, o programa entra em vigor no final de setembro e vigorará até dezembro de 2014, devendo chegar a três milhões de pessoas e visando identificar as situações de resposta mais urgente.

Fonte JN 07-08-2011

 

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