UE/EU Mercosul
O novo embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet, sinalizou, nesta segunda-feira (16), que seu país vai usar a operação Carne Fraca para impor barreiras nas negociações de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Miraillet assumiu o posto de embaixador da França no Brasil há pouco mais de um mês. Em almoço com jornalistas, ele disse que a França irá pedir alterações nas bases das negociações para que a segurança alimentar seja incluída nas tratativas.

"Depois de vários escândalos, como o da carne de cavalo usada para fazer alimentos congelados [na França], esse assunto ganhou importância para a opinião pública francesa", afirmou Miraillet. "O próprio presidente Macron [Emmanuel Macron] sinalizou a relevância da segurança alimentar em discurso recente."

Para Miraillet, a operação Carne Fraca fragilizou a posição do Mercosul. "Nada foi feito [pelas autoridades brasileiras] para assegurar a qualidade dos produtos."

Deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, a operação Carne revelou um esquema de compra de licenças sanitárias por frigoríficos.

Miraillet disse que a França tem apoio de pelo menos quatro países para modificar os termos das negociações em curso. As comissões se reúnem nesta semana em Bruxelas para mais uma rodada de conversas.

Por isso, Miraillet afirmou que a proposta a ser feita pelos europeus deve ser menos ambiciosa. As duas partes negociam desde 1999. Inicialmente, o Mercosul queria vender até 1 milhão de toneladas de etanol para a Europa e até 100 mil toneladas de carne. Nas últimas negociações, essas cotas ficaram em 600 mil toneladas de etanol por ano e de até 70 mil toneladas de carne.

Diplomatas envolvidos consideram que a França tenta intimidar o Mercosul e atrasar o acordo que, segundo eles, a maioria dos países europeus quer ter fechado ainda neste ano. Desta forma, a França tenta repetir tentativas passadas de proteger seus próprios agricultores.

Michel Miraillet foi embaixador nos Emirados Árabes Unidos entre novembro de 2013 e julho de 2017. De setembro de 2007 a julho de 2013, foi diretor de Assuntos Estratégicos e diretor de Política de Defesa, no Ministério francês da Defesa.

Como diplomata, exerceu diversos postos nos exterior: primeiro-conselheiro da Embaixada da França em Israel (2001-2004), conselheiro político no Cairo (1995-1997) e conselheiro na Missão Permanente das Nações Unidas em Nova York (EUA).

Fonte: Folha 17-10-2017

 

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