sistema de 5 cores
O sistema de cores pretende ajudar os consumidores a escolherem os alimentos com melhor qualidade, mas nem todas as marcas gostam da ideia.

Sinal vermelho é para parar. Sobre isto não parece haver dúvidas. Portanto se vir um sinal vermelho nos alimentos que se prepara para comprar no supermercado, vai ficar pelo menos mais alerta. A Direção-Geral de Saúde apresentou, em 2016, um sistema de semáforo (com três cores) para classificar gorduras, açúcares e sal. Esta opção também foi avaliada pelo Ministério da Saúde francês, mas este país acabou por preferir uma classificação de cinco cores para os alimentos como um todo. O sistema, implementado há cerca de seis meses, foi apresentado esta sexta-feira no XVII Congresso de Nutrição e Alimentação, em Lisboa.

Michel Chauliac, que apresentou o Nutri-score em Lisboa, trabalha para o Ministério da Saúde francês e tem-se dedicado às políticas de nutrição há mais de 15 anos. Para o médico de saúde pública, o importante era que fosse criado um sistema gráfico simples, fácil de ler e fácil de entender. Isto porque, segundo referiu, os consumidores dedicam cinco segundos a decidir se vão comprar o alimento A ou o alimento B.

Já existiam outros métodos para ajudar os consumidores a interpretar a informação nutricional nos rótulos, como o sistema de semáforos proposto em Portugal, sistemas informativos sem cores, selos de recomendação ou selos de alerta. Para perceber qual o sistema mais apelativo para os consumidores: se algum destes sistemas usados noutros países, se os sistemas propostos pela indústria alimentar e pelos retalhistas ou se o sistema de cinco categorias (Nutri-score), foi feito um trabalho de investigação com 11.981 participantes.


O sistema Nutri-score mostrou não só ser o preferido dos consumidores, mas também trazia vantagens para as populações mais desfavorecidas e mais expostas a alimentos de pior qualidade nutricional. “Há 17 anos que sou responsável pela nutrição em França e nunca como agora tínhamos tomado uma decisão tão fortemente baseada em ciência”, disse Michel Chauliac durante a apresentação.

O sistema de cinco cores (e cinco letras, a pensar na população daltónica) vai de verde escuro (o melhor possível) até ao laranja/vermelho (o alimento a evitar). Para estabelecer a categoria, são considerados os pontos positivos do alimento, como a presença de fibras, proteínas e frutas e legumes, e os pontos negativos, como as calorias, gorduras saturadas, açúcares e sal. Estes critérios são adaptados consoante se fale de alimentos sólidos ou líquidos, tendo neste último caso uma particularidade: a única bebida que consegue atingir o nível máximo é a água, as restantes são na melhor das hipóteses categoria B/verde claro.

Pelas regras europeias, este sistema não é obrigatório, é apenas uma recomendação. E por isso tem sido tão difícil de implementar (o processo teve início em 2015), porque a oposição de algumas indústrias do setor é forte. Empresas como a Coca-Cola, PepsiCo, Nestlé ou Unilever querem propor os seus próprios rótulos, como noticiou o jornal francês Le Monde. “Há multinacionais a tentar impedir este sistema e a tentar implementar um sistema que não tem qualquer validade científica”, disse o especialista em nutrição. Outras marcas, como a Auchan, Intermarché e Danone já implementaram os novos rótulos nos seus produtos.

A vantagem deste sistema, segundo Michel Chauliac, é que não só a informação chega mais facilmente aos consumidores, como ajuda os profissionais de saúde a fazerem aconselhamento nutricional. Além disso, incentiva ajuda a indústria a melhorar os produtos. “Quem implementa o Nutri-score, se está no amarelo esforça-se por chegar ao verde”, referiu.

Fonte: Observador 12-05-2018

 

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