Crianças com sintomas de intoxicação alimentar regressaram às aulas
A maior parte das crianças de Oliveira de Azeméis que a semana passada ficaram doentes devido a uma eventual intoxicação alimentar já regressou hoje às aulas, embora a origem do problema ainda não tenha sido detectada.

Nos estabelecimentos de ensino de Faria de Cima, Faria de Baixo e da chamada "Feira dos 11", localidades onde a situação começou por ser detectada, "a semana passada estavam a faltar às aulas 70 crianças e hoje já só 30 é que não apareceram", informa Luís Ferreira, director-adjunto do Agrupamento Bento Carqueja.

"Está tudo a regressar à normalidade e, segundo as indicações que temos, as crianças que estiveram hospitalizadas também já estão em casa", afirma o mesmo responsável. "Estão sob vigilância, para que qualquer agravamento da doença possa ser detectado rapidamente, mas parecem estar a recuperar bem".

Nas três das cinco escolas do Agrupamento de Cucujães onde a semana passada estavam a faltar às aulas cerca de 40 crianças, a situação também está a melhorar. Gabriela Reis, directora do agrupamento, não sabe precisar quantos alunos continuam doentes, mas garante que os que estão a faltar são agora "muito menos".

A origem do problema ainda está, contudo, por apurar. Segundo Francisco Borges, delegado de Saúde em Oliveira de Azeméis, todos os alunos com sintomas de gastroenterite têm em comum o facto de frequentarem escolas que "recebem a mesma alimentação e o mesmo leite", mas "ainda não há resultados dos testes laboratoriais que estão a ser efectuados a esses alimentos".

Francisco Borges diz que "este tipo de testes costuma ser demorado e, enquanto não houver dados conclusivos, não se pode responsabilizar ninguém".

As hipóteses em aberto referem-se sobretudo aos ingredientes das refeições e ao leite, mas, reconhecendo que "há crianças que ficaram doentes apesar de não terem consumido esses alimentos", o delegado de Saúde adianta: "Pode tratar-se de um vírus que ande por aqui e esteja a afectar a comida. Nesse caso, terá sido por simples contágio que os miúdos que não comeram nada também ficaram doentes".

Pondo de parte a possibilidade do problema se dever à água, "porque as redes de abastecimento são diferentes e estão distantes umas das outras", Francisco Borges rejeita também a ideia de um vírus propagado pelos sistemas de ar condicionado, "já que isso teria restringido a situação a uma escola só".

Dados precisos sobre o número global de estudantes que vêm apresentando sintomas de gastroenterite "ainda não há", afirma o delegado de Saúde de Oliveira de Azeméis, que está hoje a conduzir em todos os jardins-de-infância e escolas do 1.º Ciclo afectados pelo problema um inquérito que permita "determinar o número preciso de crianças doentes".

"Elas começaram a ficar em casa quarta-feira e na quinta, quando se deu o «boom», houve pais que vieram trazer os miúdos às escolas e já não os deixaram lá", recorda Francisco Borges. "Isto quer dizer que nem todas as crianças que estão a faltar às aulas estão doentes e é por isso que ainda não temos um número exacto para apontar".

"De qualquer maneira", realça o delegado de Saúde, "o pior já passou e agora é só esperar pelo resultado dos testes laboratoriais, para saber qual é a explicação para isto tudo e evitar que se repita".

As refeições das escolas onde há crianças com sintomas de gastroenterite são todas fornecidas pela empresa Eurest Portugal.

Em comunicado emitido sexta-feira, a empresa informava que encomendara exames laboratoriais a todos os alimentos serviços nas referidas escolas e frisava: "Em alguns dos casos detectados, as crianças em causa não tinham frequentado os refeitórios, o que poderá sugerir que os casos tenham outra origem, nomeadamente viral".

Sobre as 30 crianças que passaram pelo Hospital S. Sebastião, na Feira, em situação mais grave, Rui Carrapato, director do serviço de Pediatria/Neonatologia, esclarecia que os sintomas se deviam "a uma intoxicação alimentar por agente não identificado".

No Agrupamento de Escolas de Fajões também foram detectados casos de gastroenterite em crianças, mas a direcção desse organismo não esteve disponível para prestar esclarecimentos sobre o caso.

2009.10.19

Fonte: DN

 

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