Dificuldades na comunicação de surtos de doenças de origem alimentar
De acordo com uma pesquisa do CSPI (Center for Science in the Public Interest), muitos estados (EUA) apresentam dificuldades na investigação e divulgação de surtos de doenças de origem alimentar.

A mais recente informação disponível relacionada com este assunto, data de 2007 e de acordo com o CSPI, a qualidade da informação reportada apresenta grande variação de estado para estado.

Caroline Smith DeWall, directora do departamento de segurança alimentar do CSPI afirmou: “Os departamentos locais e de estado são a nossa principal linha de defesa no que respeita à identificação do alimento que originou um determinado surto. No entanto, alguns estados não possuem investigadores suficientes ou recursos financeiros para formar e equipar o seu pessoal, podendo originar uma diminuição da qualidade nas investigações e menores taxas de comunicação de surtos.”

A organização considerou os estados do Minesota e de Oregan como linha de base – dois estados reconhecidos por terem implementados excelentes mecanismos de reporte de surtos de doenças de origem alimentar, incluindo vigilância e investigação. Cada um destes estados reportou dez surtos por cada milhão de pessoas em 2007. No entanto, o CSPI detectou que 7 outros estados ultrapassaram aqueles dois pela quantidade e qualidade da informação dos surtos comunicados.

Por outro lado, 23 estados reportaram três ou menos surtos por milhão de pessoas e 12 estados reportaram apenas um surto.

O CSPI considera que o Food Safety Modernization Act, que se encontra neste momento na sua fase de análise, irá contribuir para a melhoria do processo de comunicação de surtos de doenças de origem alimentar, aos níveis local, estatal e federal.

Caroline DeWall afirmou: “A informação sobre os surtos é uma peça vital do sistema nacional de segurança alimentar e a informação reunida no decurso das investigações pode reduzir o impacto dos surtos e prevenir a sua ocorrência.”

De acordo com os dados disponíveis (CDS), só nos Estados Unidos, cerca de 76 milhões de pessoas sofrem de doenças de origem alimentar todos os anos. Desses, 375 mil são hospitalizados e 5 mil morrem.

Em Portugal

Em Portugal a situação tem sido semelhante, com uma percentagem muita baixa de surtos reportados em relação às toxinfecções alimentares ocorridas todos os anos. Perante os sintomas de tais doenças, os doentes são tratados com antibióticos de largo espectro, ficando por conhecer o alimento e o agente causador, impossibilitando que o caso seja reportado.

Para tentar melhorar o sistema, vai ser aplicado até ao final do ano 2010, na região de Lisboa, um sistema informático que possibilitará aos médicos dos hospitais e centros de saúde registar todos os casos de intoxicações alimentares. Numa fase inicial, este programa será instalado na região de Lisboa e Vale do Tejo, prevendo-se estender a sua implementação ao resto do País.

O novo sistema informático deverá custar cerca de 50 mil euros e a sua aplicação nos hospitais e centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo será faseada.

Esta ferramenta possibilitará a compilação de informação sobre o número de pessoas afectadas por intoxicações alimentares e sua relação com os alimentos e agentes causadores, possibilitando, numa fase posterior efectuar uma gestão de risco mais ponderada e eficaz.

QUALI.PT 28-03-2010


 

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