Médico prepara estudo sobre causas das alergias alimentares
Muitos alimentos vulgares e que fazem parte da nossa dieta habitual podem provocar reacções adversas, ou até mesmo alergias alimentares, os conceitos e os sintomas podem ser parecidos, mas as causas e efeitos são diferentes e importa distingui-los.

As alergias, de base imunológica, podem provocar desde uma simples comichão até à morte. Daí ser necessário diagnosticar e tratar as verdadeiras causas, mas algumas não estão ainda devidamente exploradas, como por exemplo, as das alergias alimentares.

Neste sentido, na sua tese de doutoramento, Carlos Lozoya Ibañez, médico do Serviço de Imunoalergologia do Hospital Amato Lusitano, que frequenta a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, vai realizar um estudo sobre "Prevalência e características clínicas e genéticas das alergias alimentares em adultos da Beira Interior", orientado pelo professor Taborda Barata.

Esta é uma análise pioneira a nível nacional e a realizar na área abrangida pela Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (com excepção dos centros de saúde de Vila de Rei e Mação, devido à distância, e de Penamacor, que não aceitou entrar no estudo).

Foto de Lídia Barata- Reconquista O estudo consiste na elaboração de um questionário, via telefone, a uma amostra da população da região, neste caso, cerca de mil utentes dos diversos centros de saúde que integram a ULS de Castelo Branco, propostos a partir dos ficheiros dos clínicos gerais.

Carlos Lozoya explica que "ter uma reacção adversa a um determinado alimento é diferente de ter uma alergia alimentar", pois "se a primeira acontece pontualmente, até pelo estado de conservação desse alimento nessa altura, podendo não se repetir, na alergia alimentar prevalece o sintoma, repetindo-se sempre que a pessoa ingere aquele determinado alimento".

Na América há muitos estudos sobre as alergias alimentares, mas na Europa são menos frequentes.

Em Portugal é este o primeiro, podendo ser este também o início de um caminho que depois se pode alargar a outras zonas do país, conduzindo a que, dentro de alguns anos, possa haver uma visão global nacional em termos desta problemática.

Quando há uma alergia alimentar a maneira mais fácil de a tratar é deixar de comer o alimento que a causa, mas, para isso, é preciso saber qual é realmente.

Este estudo já está desenhado há alguns anos, mas "as burocracias inerentes à sua aprovação, como conseguir os pareceres da Comissão de Ética de HAL, da ex-Sub-Região de Saúde de Castelo Branco e agora esta transição para a ULS, levou um ano até que tudo estivesse pronto para avançar".

Os inquéritos devem começar a ser feitos já este mês de Março e os primeiros resultados deverão surgir dentro de 14 a 15 meses.

"Um estudo bem feito pode evitar muitos problemas, porque identificam-se as causas e podem arranjar-se soluções mais facilmente", reitera o médico, adiantando que "o estudo vai identificar quem são os utentes que apresentam reacções adversa a alimentos, depois, numa outra fase, quais são mesmo alérgicas, finalizando-se com uma série de estudos laboratoriais".

Nos adultos é mais fácil de identificar a prevalência das alergias alimentares do que nas crianças, mas, depois deste, pode surgir um outro estudo dirigido à população entre os 12 e os 18 anos.

"Estes estudos podem servir de base comparativa para outros que depois se venham a fazer, porque a população também é diferente no Interior e no Litoral e nem todas respondem da mesma forma perante estas situações", conclui.

Fonte: Jornal Reconquista 05-03-2010

 

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