Investigador da Universidade de Coimbra faz parte de painel para a homologação dos pesticidas na Europa
Um investigador português integra um painel que está a desenvolver as novas regras para a homologação da entrada de pesticidas no espaço europeu. A “Bíblia” dos pesticidas, como lhe chama José Paulo Sousa, deverá estar concluída em meados de 2012.

O professor do Departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra integra um dos painéis da EFSA (European Food Safety Authority), especificamente destinado à avaliação e efeitos dos pesticidas, ainda que a agência seja mais abrangente.

“A EFSA é constituída por diversos painéis científicos que prestam o mesmo tipo de serviço nas mais diversas áreas que estejam ligadas à segurança alimentar. Há um painel sobre organismos geneticamente modificados, e até os corantes amarelos que se usam nos bolos de aniversário é objecto de análise”, explica o investigador.

O painel de José Paulo Sousa centra-se nos pesticidas. “Os diferentes estados membros, quando dão o seu sim ou não à venda dos produtos, têm que analisar uma série de informação e a maneira como analisam a informação é ditada por uma série de regras.

Essas regras são algo antigas e necessitam de ser actualizadas, e portanto há novos avanços científicos e é necessário melhorá-las, pôr mais ciência na maneira como são definidas, para tornar essa avaliação mais robusta?, justifica.

O modo como é feito, segundo José Paulo Sousa, inicia-se num dossiê fornecido por uma indústria que quer pôr um produto à venda. “O que estamos a definir agora é quais são os limites, ou seja, o que é considerado aceitável ou não (pondo muita informação ecológica que se foi adquirindo ao longo destes anos), que tipo de avaliação deve ser feita, que tipo de informações é que essas agências devem requerer à indústria, e que tipo de regras devem seguir para avaliar o que a indústria fornece”, esclarece.

As novas regras deverão estar definidas pelo painel em 2012. Depois serão enviadas para o Parlamento Europeu e União Europeia, para aprovação. “Todos estes processos são muito longos, mas acho que estamos a dar um passo importante”, conta.

Apesar de as regras serem comuns, José Paulo Sousa explica que os efeitos dos pesticidas variam de país para país. “A ecotoxicidade de um pesticida pode ser diferente conforme a concentração que está no solo, tipo de fauna e flora exposta a esse pesticida. A mesma quantidade pode ter efeitos diferentes conforme o solo, o clima, e organismos que vivem no solo”, descreve.

No caso português, o investigador revela que não há um conhecimento muito abrangente, uma vez que a maior parte dos estudos existentes na área foram pensados para o centro da Europa. No entanto, afirma que os efeitos são semelhantes aos desta região. “Em Portugal são muito usados fungicidas e herbicidas, que não são muito tóxicos para animais que vivem no solo, mas quando o pesticida é lixiviado para a água já é nocivo para alguns animais que aí habitem”, ressalva.

Uma má regulação dos produtos pode levar a um esgotamento rápido do solo ou a elevados valores de toxicidade em alimentos. Estes efeitos poderão acontecer se o agricultor utilizar uma dose maior do que a recomendada no pacote. “Se os dados e a avaliação estiverem correctos, as doses aconselhadas não devem ser tóxicas”, considera.

Fonte JN 01-07-2010

 

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